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a vida são duas palavras; uma para te deixar a pensar qual é, outra para pensares no que não te deixou.

quinta-feira, abril 16, 2009

Rê| alces

O dia não sorria lá fora, a chuva batia desesperadamente na janela que se mantinha forte e imponente contra ela, (o contrário de mim). Não haviam pássaros a cantar como nos contos de fadas, nem um sol irradiante naquela manhã de Outubro. Espreiteipara fora, com grande esforço em abrir a persiana, e reparei que os carros apressavam-se debaixo da tempestade e os peõs movimentavam-se a custo, como se num jogo de tabuleiro se tentasse fazer batota. Passavam vários sem me chamar o mínimo de atenção.
Despercebidamente, um carro amarelo fez-se brilhar no meio da rua molhada de granito. Passava pelas poças a uma velocidade moderada, mas suficiente para molhar a rapariga que se encontrava a passar. O guarda-chuva era também amarelo, de plástico. Teria algum interesse? Apressou-se a desaparecer por detrás do prédio que se estende em frente, cor de tijolo partido.

A vida é única bem sei, (e ainda mais me dizem), só se vive uma vez. E a morte? Pensando positivamente, só se morre uma vez. Penso que é justo.
Ser comum, igual, entediante. Será correcta esta sinonímia de palavras? O comum pode ser alegre, mas todas as pessoas se queixam de males e o Igual pode ser Único, quando se é a única pessoa no Mundo. (probabilidades muito remotas)

Sei que ser diferente é bom. Todos o tentam ser, serem realçados no meio da multidão. Como um pontinho vermelho no meio do texto branco, ou como um feixe de luz numa sala escura. Mas nem todos os conseguem, e penso que quanto mais se tenta, (como é o meu caso), menos se consegue.
Bem que tento ter uma certa particularidade, algo que me defina positivamente como é claro, algo que seja unicamente especial em mim.
Procurei, procurei e procurei, fiz pesquisas sobre o tema e até o Google foi usado, mas nada é singular e diferente de uma forma boa em mim. Até o espelho já se recusa a me olhar novamente durante horas.

Penso que ao fim de tanto trabalho árduo, descobri que todos têm uma particularidade, e que no meu caso, não é uma singularidade boa. Nem todos o podem ter.

Mas é como disse anteriormente. É justo.
Só se vive uma vez, mas também é só uma vez que se morre!



~ G'odrigues

,invisibilida^dê

A garganta aperta forte, tão forte que a dor deixa de se sentir, sem ar para sequer gritar. Os dedos contraem inúteis e fracos, congelados na raiva que arde sem fim, chama essa que nasce no topo e que se alastra como uma praga sem vacina capaz de a parar. A voz baixa, afinal, para quê falar se ninguém me ouve? Para quê emitir esganiçados sons da minha estúpida boca quando toda a gente se disfarça de surdo para mim e unicamente mim? (será que é Carnaval e eu não notei?)
Os ouvidos já estão programados para não me ouvir. Os olhos têm o trabalho de se desviar sempre que ocasionalmente passam por mim e a função do corpo é afastar-se o mais rápido e para o mais longe possível.
(terei hepatite?)
Sem querer? Por acaso? Sim, pois, é tudo uma mera coincidência.

Serei invisível? Se assim for o meu espelho está estragado pois a minha triste figura atormenta-me todos os dias no pedaço de vidro que está colocado mesmo em frente à cama. Provavelmente seria melhor ser invisível, assim teriam razões para me ignorar, pois aí eu seria Ninguém!

A invisibilidade chega até a ser confortante, acolhe-me com os seus braços de silêncio que me cegam e me fazem esquecer tudo, obrigando-me a cometer o mesmo erro cada vez que decido ser ouvido.
É como ela 'diz', por mais vezes que sofra, não sou inteligente o suficiente para dizer chega, e deixar de tentar. Tentar ser Alguém.


Começo a duvidar se sou mesmo humano, serei mágico?

Não, sou Fantasma, já que para ser mágico tinha de ser Alguém.


~ G'odrigues